A rainha do céu e o sincretismo religioso
¹⁶ "Mas a você, Jeremias, não ore por este povo nem faça súplicas ou pedidos em favor dele, nem interceda por ele junto a mim, pois eu não o ouvirei.
¹⁷ Não vê o que estão fazendo nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém?
¹⁸ Os filhos ajuntam a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa e fazem bolos para a Rainha dos Céus. Além disso, derramam ofertas a outros deuses para provocarem a minha ira. Jeremias 7:16-18
Meus caros leitores, quero trazer à tona uma verdade que muitos tentam tapar com uma peneira. Em outras palavras, a verdade não pode ser escondida, ainda que seja ignorada. Esse texto de Jeremias, me fez refletir muito sobre o contexto do que vem acontecendo nos últimos dias. É claro que estamos em época bem diferente do registro do profeta Jeremias, mas, não podemos negar o que vem acontecendo dentro de alguns templos e dentro de alguns lares cristãos! O ato praticado com os remanescentes judeus, vem se tornado cada vez mais comuns em nossos dias. Eu quero através desse artigo, denunciar e convencê-los a voltar aos princípios bíblicos, para trazer arrependimento uma adoração sincera a Deus.
Quando Jeremias denuncia à ação do povo judeu, o Senhor pede para que Jeremias fique a porta do templo para trazer a denuncia do pecado do povo (Jr 7:2). Quando Jeremias se pôs à frente do templo para trazer a mensagem do Senhor, ele estava ali como porta voz para falar a verdade, alguém que não compactuava com os mesmos pecado do povo, um profeta que guardava os mandamentos e era obediente a Deus, seguia suas instruções e fazia a vontade de Deus e não seus próprios caprichos. Ao contrário de um povo rebelde cheio de idolatria, Jeremias era um agente que proclama uma adoração sincera voltada para Deus e não a um culto cheio de misticismo.
O texto é bem claro no que diz: “Os filhos ajuntam a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa e fazem bolos para a Rainha dos Céus”. Jeremias 7:18
Os pais perderam os princípios de uma base estruturada através da obediência a Deus e aos seus mandamentos. O filho juntava a lenha, o pai acendia o fogo, a mãe preparava a massa do bolo! Tudo isso em busca de prosperidade, bênçãos materiais, uma falsa segurança e conforto. Eles não deixaram de adorar a Deus! Apenas introduziram o sincretismo religioso pagão. Aí é onde está o perigo de muitos, o sincretismo tem tomado espaço a onde não devia! No momento em procuramos bênçãos materiais em apostas, na carreira desenfreada para o sucesso, em busca constante a procura de visibilidade e status, estamos introduzindo um culto o misticismo religioso em nossas condutas, deixando Deus de lado e contando com a sorte.
A rainha do céu, a quem o povo judeu prestava cultos místicos, ela estava associada a:
- Fertilidade
- Amor
- Sexualidade
- Guerra
- Astrologia (lua / estrelas)
Conhecida como: Ishtar (Babilônia) ou Astarte / Aserá (Cananéia/Fenícia)
O bolo a qual as mulheres preparavam, o formato dele era em forma de estrelas ou formato redondo em forma de lua! Elas faziam isso como objeto de adoração a esta deusa pagã considerada rainha do céu. Perceba, eles faziam isso nas suas casas! Eles estavam ensinando a seus filhos princípios errados e fora da lei que lhe foram ordenados por Deus. O sincretismo não começa dentro da igreja, ele começa no coração! Onde irradia toda vontade de praticar o desejo. O perigo está nessa prática desse sincretismo e mesmo assim ir para igreja e dividir adoração para Deus. Deus não divide sua glória com ninguém. Por outro lado, é vergonhoso a forma em que alguns líderes vêm se comportando em busca de fama e reconhecimento. Recentemente, vi um pastor (se é que é pastor), orando pela abertura do carnaval! Onde fica Deus nisso? Essa atitude desse homem traz vergonha e escandaliza o evangelho. Outro artigo que li, um macumbeiro cobrando uma dívida de uma cantora gospel pelo trabalho que ele fez com ritual no cemitério, o mesmo alegou que foi responsável pelo sucesso dela. Pior do que isso é saber que esses artistas não são cantores seculares, são cantores gospel que sobe em cima do púlpito. O culto sincretismo e misticismo, tem entrado em algumas igrejas e lares silenciosamente! Muitos por falta de visão ou por omissão, não denuncia este pecado que tem se enraizado no silêncio obscuro. Deus ainda levanta Jeremias! Homens e mulheres dispostos a confrontar o erro, denunciar o pecado e chamar o povo de volta à adoração sincera e exclusiva ao Senhor.
⁹ " ‘Vocês pensam que podem roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente, queimar incenso a Baal e seguir outros deuses que vocês não conheceram,
¹⁰ e depois vir e permanecer perante mim neste templo, que leva o meu nome, e dizer: Estamos seguros!, seguros para continuar com todas essas práticas repugnantes?
¹¹ Esse templo, que leva o meu nome, tornou-se para vocês um covil de ladrões? Cuidado! Eu mesmo estou vendo isso’ ", declara o Senhor. Jeremias 7:1-34
O povo cometia atos pecaminosos e depois iam pro templo adorar a Deus como se nada tivesse acontecido. Muitos tem se comportado assim, aderem ao sincretismo e depois vão à igreja como se nada de errado tivesse cometido! Agem tranquilamente, porque adorou ídolos pagãos e depois adorou um pouco a Deus, dividindo adoração meio a meio.
Jeremias ergue sua voz em meio a uma geração que ainda falava o nome do Senhor, ainda frequentava o templo, ainda mantinha aparência religiosa — mas cujo coração havia sido lentamente capturado por outros altares. O problema nunca foi ateísmo, foi substituição. Enquanto os lábios preservavam a fé, as mãos preparavam bolos para a “rainha dos céus”. A confiança estava fragmentada. Deus já não era a fonte exclusiva de segurança, prosperidade e esperança. Tornara-se parte de um sistema espiritual misto.
E aqui reside a inquietante atualidade do texto.
Hoje não vemos estatuetas de Aserá nas salas, nem altares domésticos a Ishtar. A idolatria moderna tornou-se mais sofisticada, mais silenciosa, mais aceitável. Mudaram os símbolos — não a essência. Continuamos buscando aquilo que Judá buscava.
- Segurança.
- Controle.
- Proteção.
- Prosperidade.
- Estabilidade emocional.
O coração humano permanece o mesmo fabricante de substitutos. No tempo de Jeremias, a esperança estava numa deusa da fertilidade. Hoje, pode estar no saldo bancário, na carreira, na validação social, na autoimagem, nos relacionamentos ou até em experiências espirituais consumidas como produtos. A idolatria raramente se apresenta como negação de Deus. Ela se manifesta como adição.
- “Creio em Deus, mas preciso disso.”
- “Confio no Senhor, mas minha segurança real está aqui.”
- “Minha fé é importante, mas não suficiente.”
Esse é o eco exato de Jeremias 44. O povo não abandonou Deus. Apenas distribuiu sua confiança. O engano continua perigosamente vivo: associar resultados à verdade espiritual.
Judá dizia: “Quando oferecíamos incenso, prosperávamos.”
A lógica moderna repete: “Se está dando certo, deve estar tudo bem.”
Mas prosperidade nunca foi critério de fidelidade. Conforto nunca foi métrica de verdade. Os resultados nunca foram selo de aprovação divina. Jeremias expõe algo mais profundo que rituais pagãos. Ele revela o drama do coração dividido. A idolatria contemporânea não exige imagens de madeira ou pedra. Ela floresce nas estruturas invisíveis da alma — onde algo passa a ocupar o lugar funcional de Deus.
- Aquilo que mais tememos perder.
- Aquilo que mais buscamos preservar.
- Aquilo que define nossa paz.
É ali que os altares modernos são erguidos. O texto antigo não é apenas registro histórico. É um diagnóstico permanente. Porque a essência da idolatria não mudou: confiar em algo criado para suprir aquilo que apenas o Criador pode sustentar. Jeremias não confronta apenas práticas religiosas equivocadas. Ele confronta uma realidade desconfortável:
- É possível manter a aparência de fé e viver sustentado por outros deuses.
- É possível frequentar o templo e ter o coração ancorado em substitutos.
- É possível falar de Deus sem depender exclusivamente Dele.
A pergunta que atravessa séculos permanece viva: Onde repousa nossa verdadeira segurança? Porque os altares mudam, os nomes mudam, as formas mudam. Mas o conflito espiritual continua exatamente o mesmo.
Autor : Escritor Rafael Vitor
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