Quando o Noivo Bate à Porta e a Noiva Não Está Pronta
Quando o Noivo Bate à Porta e a Noiva Não Está Pronta
Uma reflexão profunda sobre Cantares capítulo 5 e o perigo da frieza espiritual na Igreja.
Cristo continua chamando, mas muitos estão espiritualmente adormecidos.
O livro de Cantares, ou Cântico dos Cânticos, é um dos livros mais emblemáticos sobre o amor e o romance. Este livro foi escrito por Salomão e conta também com a coparticipação de sua esposa, a Sulamita, nos versos. Salomão, que teve muitas mulheres e concubinas (como era direito de sua monarquia na época), causa certo estranhamento ao dedicar uma coleção de poemas de amor a apenas uma mulher. Segundo alguns críticos, a razão de Salomão escrever este livro foi o fato de a graça tê-lo alcançado. A Sulamita não apenas se destaca por seu amor para com Salomão, mas também por sua beleza e pela cor de sua pele, descrita como negra. Uma mulher formosa e virtuosa (Cântico 1:8). Na tradição judaico-cristã, o livro costuma ser compreendido sob duas perspectivas: de forma literal, como um conjunto de poemas líricos que tratam do amor humano e do desejo; e de forma simbólica, como uma representação alegórica do relacionamento entre Deus e Israel ou entre Cristo e a Igreja.
No capítulo 1:6, a Sulamita relata que a cor de sua pele se deve ao sol. Seus irmãos (os filhos de sua mãe) a forçaram a trabalhar na vinha. No último capítulo, revela-se que essa vinha era de Salomão e estava alugada (Cântico 8:11). Os guardas, que eram os irmãos da Sulamita, levavam a Salomão mil peças de prata pelo valor do fruto da vinha. No verso 12, é revelado que essa mesma vinha agora também pertence à Sulamita, e seus irmãos são pagos com duzentas moedas de prata por cuidarem dela.
O livro, em si, contém algumas das mais belas declarações de amor. Eu, particularmente, já utilizei muitas delas para me declarar à minha amada esposa, minha querida Jéssica. E não apenas eu, mas creio que muitos já usaram este livro como base e referência para o matrimônio. Contudo, o que realmente me chamou a atenção foi o capítulo 5; é nele que vamos meditar.
Sempre peço aos meus leitores que, antes de lerem este artigo, leiam primeiro o capítulo 5, para que não haja confusão com os textos apresentados aqui. Faço essa recomendação porque já tive muitas dificuldades na compreensão de textos e quero ser o mais claro possível, para que não restem dúvidas.
Quero propor a leitura do capítulo 5 sob a ótica de Cristo e da Igreja. Este capítulo revela algo profundo, ao qual poucos se atentam, passando muitas vezes despercebido. No verso 1, é dito que o esposo foi ao jardim; há um paralelo que também se encaixa perfeitamente com João 14:2-3. Mais adiante, o texto revela uma esposa descuidada e sem prontidão para receber seu esposo. Foi esse descuido, juntamente com suas desculpas, que revelou o caráter da esposa.
² Eu estava quase dormindo, mas o meu coração estava acordado. Escutem! O meu amado está batendo: Abra-me a porta, minha irmã, minha querida, minha pomba, minha mulher ideal, pois a minha cabeça está encharcada de orvalho, o meu cabelo, da umidade da noite.³ Já tirei a túnica; terei que vestir-me de novo? Já lavei os pés; terei que sujá-los de novo? (Cânticos 5:2,3).
Quantas vezes damos desculpas a nós mesmos para não buscarmos mais a Deus com temor e sinceridade? Deixamos nossas obrigações espirituais e passamos a viver no automático. Viver no automático é ir ao culto e não sentir a presença de Deus; é estar ali apenas por cumprir um cronograma semanal. Já não se ouve mais a voz do Espírito Santo, perde-se a sensibilidade para ouvi-Lo, mesmo quando Ele está chamando — chamando para a comunhão, para um despertamento espiritual. A incredulidade e a dureza do coração já tomaram conta. “Já tirei a túnica; terei que me vestir de novo? Já lavei os pés; terei que sujá-los outra vez?” Quando a noiva de Cristo chega a esse ponto, a frieza espiritual já se instalou. Não há mais prontidão. Não há mais temor. Perdeu-se a comunhão, a vontade de ir aos cultos e de buscar a Deus na madrugada. O capítulo 5 revela uma noiva que, na versão NVI, já havia tirado suas vestes e estava pronta para dormir. Esse é o erro de muitos: acomodar-se enquanto o Noivo (Cristo) ainda não veio buscar sua noiva (a Igreja). Talvez você já tenha ouvido alguém dizer: “Faz tanto tempo que dizem que Jesus vai voltar, e até agora nada”. Talvez, por descuido, você mesmo já tenha pensado assim. Em Mateus 25:13, somos alertados a vigiar e a estarmos prontos para o encontro com o Noivo. Esse encontro é para aqueles que mantêm suas lamparinas acesas e têm azeite consigo. Ainda há azeite com você? Se sim, mantenha seus estoques cheios, para não correr o risco de tentar comprar tarde da noite e encontrar o mercado fechado. O azeite representa a unção; o mercado, a igreja. A noiva já estava quase dormindo. Esse é um estágio em que o corpo descansa, mas a consciência ainda está desperta. Talvez você já tenha experimentado isso: o corpo cansado, com sono, mas a mente ativa, pensando ou preocupada com algo. “Eu dormia, mas o meu coração velava.” Enquanto a noiva queria dormir, seu coração ainda pensava no noivo. Em outras palavras, a noiva estava distante do noivo e acomodada em seu aposento — um retrato de frieza e negligência espiritual. O noivo está à porta, chamando: “Abra-me a porta, minha irmã, minha querida, minha pomba, minha perfeita, pois a minha cabeça está coberta de orvalho, e os meus cabelos, da umidade da noite”. Ainda assim, a noiva apresenta desculpas e não faz o mínimo esforço para abrir a porta. Suas desculpas não foram suficientes. Assim como essa mulher, que desperdiçou a oportunidade, muitos também perdem seu tempo e deixam de abrir a porta para o Noivo. Quando a noiva decide se levantar, já é tarde demais. Ao perceber, o noivo já havia ido embora, deixando a tranca da porta molhada de mirra. A mirra é uma resina aromática, muito utilizada na antiguidade para a produção de perfumes. O noivo deixou vestígios, deixou sua fragrância. Além de reconhecer a voz do noivo, a noiva também reconheceu o seu perfume que permaneceu na maçaneta.
E você: conhece a voz do Noivo? Reconhece a sua presença? As Escrituras dizem que a ovelha conhece a voz do seu pastor (João 10:14). Quando o Noivo te chamar, não hesite — esteja pronto.
Sabe, amigo(a), Cantares capítulo 5 nos alerta que somos como essa noiva: damos desculpas para tudo. O conforto e o comodismo têm arrastado muitas pessoas para longe de Cristo; a frieza e a negligência espiritual têm deixado muitos adormecidos, enquanto o coração ainda pensa n’Ele. Mas não basta apenas pensar: é preciso disposição e vontade de recebê-Lo quando Ele nos chama, agora. Não abra a porta quando for tarde demais. O tempo é hoje, é agora. Não tire suas vestes, como fez essa noiva, que não estava pronta para receber o noivo. As vestes representam santidade e caráter. Vista-se das vestes da santidade enquanto ainda há tempo, porque, quando o Noivo vier, não haverá espaço para desculpas de uma noiva negligente.
Quando essa mulher saiu à procura do seu noivo, tarde da noite, os guardas da cidade a espancaram, deixando-a sem suas vestes. O mundo não está preocupado com quem você é; não se importa de onde você veio nem para onde vai. Ele nada tem a oferecer, a não ser a vergonha e o desprezo que essa mesma mulher enfrentou. Quantos, hoje, têm sofrido neste mundo, sendo escravos do pecado e do vício? Conheço alguns que foram homens e mulheres cheios do Espírito Santo e que hoje são motivo de escárnio e zombaria. Não têm forças para voltar; vivem das migalhas que o mundo oferece. Suas vestes foram tiradas pelos guardas da rua. Esses “guardas da rua” representam Satanás e o mundo. No verso 8, o clamor dessa mulher é explícito: “Ó mulheres de Jerusalém, eu lhes suplico: se encontrarem o meu amado, digam-lhe que estou doente de amor”. Muitos até têm o desejo de voltar a Cristo, de ter um encontro com Ele novamente, mas, infelizmente, não conseguem, pelo simples fato de não terem mais forças. Estão presos e escravizados. O “não” se torna mais fácil do que o “sim”. A resposta, muitas vezes, é: “Hoje não… quem sabe amanhã, ou outro dia”. Já fiz apelos a muitas pessoas afastadas do evangelho, e essa é a frase mais comum entre aqueles que um dia serviram a Deus e hoje não servem mais.
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Apocalipse 3:20).
Cristo está à porta. Você está pronto(a) para recebê-Lo?
Autor : Escritor Rafael Vitor
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