Lembra-te do Teu Criador na Mocidade

 


Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento;  Eclesiastes 12:1


Quando falamos da fase da juventude, muitos pensam apenas em aproveitar a vida e gastar suas energias com os prazeres deste mundo. Para aqueles que são solteiros, essa fase pode se tornar ainda mais desafiadora, especialmente durante o período da puberdade. Nessa etapa da vida surge uma grande curiosidade em conhecer o mundo adulto. Entre essas curiosidades está, muitas vezes, o desejo de experimentar o sexo antes do casamento. É justamente aí que reside um grande perigo. Biblicamente falando, esse comportamento se enquadra no ato de fornicação, algo que a Palavra de Deus reprova claramente. Deus não se agrada do pecado e não compactua com práticas que estão fora dos princípios estabelecidos por Ele. Por isso, o jovem precisa ter sabedoria, domínio próprio e temor a Deus, para não se deixar levar pelos desejos momentâneos que podem trazer consequências para sua vida espiritual e moral.


Lembro-me de quando eu estava na fase da pré-adolescência. Eu gastava quase toda a minha energia e o meu tempo indo para a igreja. Quando eu era criança, por volta dos sete anos de idade, morava no interior, na zona rural, afastado da cidade. Ao redor do nosso povoado havia apenas plantações de cana-de-açúcar e grandes matas. Mesmo sendo criança, eu já tinha prazer em buscar a presença de Deus. Com apenas sete anos, eu ia para os cultos à noite e também para os círculos de oração à tarde, caminhando cerca de 20 quilômetros de distância. Para mim, aquilo não era um sacrifício; era uma bênção. Sentia alegria em poder caminhar e ir para a casa do Senhor. Quando havia festividades de crianças em outras áreas rurais, o grupo infantil da igreja era convidado para participar. Sempre que eu estava presente, os dirigentes do culto me davam oportunidade para cantar. Muitos me chamavam de “cantor mirim”, pois desde cedo eu gostava de louvar a Deus. Aos doze anos de idade, após o falecimento do meu pai, minha mãe e eu, juntamente com meus irmãos, nos mudamos para a cidade. Mesmo depois dessa mudança, eu continuei firme no caminho do Senhor. No período da tarde, eu caminhava sozinho para participar dos cultos de círculo de oração. Às vezes ia acompanhado por alguns amigos, outras vezes seguia sozinho, mas sempre com o mesmo propósito no coração: buscar a presença de Deus. Assim, posso dizer que gastei minha infância e adolescência na casa do Senhor. Foi nesse ambiente de fé, oração e comunhão que minha vida espiritual foi sendo formada. Foi também aos doze anos de idade que tive uma das experiências mais marcantes da minha caminhada cristã: fui batizado no Espírito Santo. Essa experiência fortaleceu ainda mais a minha fé e confirmou no meu coração o desejo de permanecer servindo a Deus por toda a minha vida.


Quando completei quinze anos de idade, comecei a experimentar as mudanças da adolescência. Foi nessa fase que conheci a puberdade e tive também o meu primeiro namoro sério. Na escola, porém, o ambiente era ainda mais perigoso para um jovem cristão. As influências das amizades começaram a me conduzir por caminhos errados e atitudes que não agradavam a Deus. Certa vez, durante um ensaio do grupo de adolescentes da igreja, nossa líder nos chamou a atenção por causa de algumas atitudes reprováveis e também pelo linguajar inapropriado que estávamos usando, algo que não condizia com aqueles que se identificavam como cristãos.


O motivo da repreensão foi ainda mais sério. O diretor da escola havia informado aos pais que os alunos que mais falavam palavrões eram justamente os que diziam ser cristãos. Aquilo gerou uma grande preocupação. Diante disso, nossa líder nos reuniu e nos repreendeu com firmeza, exortando-nos sobre o testemunho que deveríamos dar como jovens que servem a Deus. Confesso que fiquei profundamente envergonhado naquele momento. Foi como se eu tivesse levado uma surra de correção. Eu não sabia onde colocar o rosto de tanta vergonha, pois também estava incluído entre aqueles que estavam agindo de maneira errada. Aquela situação serviu como um alerta para minha vida, pois percebi que não basta apenas dizer que somos cristãos; nossas atitudes também precisam refletir aquilo que professamos diante de Deus e das pessoas.


A verdade é que essa fase da vida é um pouco difícil para muitos jovens. Não me refiro ao fato de ser cristão, porque servir a Deus é uma escolha, é um estilo de vida. Refiro-me à fase da juventude em si. Nessa etapa da vida, muitas tentações aparecem. Tudo aquilo que pertence ao mundo é apresentado como um prato atraente diante de nós. Satanás coloca muitos “pratos mundanos” sobre a mesa, tentando seduzir os jovens com prazeres momentâneos. Porém, cabe a cada pessoa decidir se irá comer ou rejeitar aquilo que está diante de si.


Outro ponto que merece atenção é a questão da depressão entre os jovens, algo que tem crescido de forma preocupante. Muitos adolescentes têm enfrentado crises emocionais profundas, e alguns acabam recorrendo à automutilação, seja por influência de desafios que circulam na internet ou por causa de pensamentos destrutivos que surgem em suas mentes. Recentemente, minha esposa foi a uma reunião escolar, no início deste ano (fevereiro de 2026). Na ocasião, a diretora chamou a atenção dos pais para uma situação alarmante: alguns adolescentes estavam indo para a escola usando moletom em pleno calor de 30 graus. Eles não estavam com frio. Na verdade, estavam tentando esconder cortes nos braços, resultado de práticas de automutilação, para que seus pais não percebessem o que estava acontecendo. Isso serve como um alerta muito sério para todos nós. Como pais, precisamos estar atentos. Pais que cuidam, acompanham e zelam pelos seus filhos conseguem evitar muitas tragédias futuras.


É importante saber quem são os amigos dos filhos, conhecer seus gostos, acompanhar suas rotinas e, quando necessário, verificar o que eles acessam no celular e nas redes sociais. São atitudes simples, mas extremamente importantes. Infelizmente, muitos pais negligenciam esses cuidados. E quando percebem que algo está errado, muitas vezes já é tarde demais. Por isso, cuidar dos filhos não é apenas prover alimento e abrigo, mas também acompanhar, orientar e proteger emocional e espiritualmente aqueles que Deus confiou aos nossos cuidados.


Quando a Bíblia diz “lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade”, significa colocar Deus em primeiro lugar enquanto ainda se tem força, disposição e oportunidades. A juventude é o tempo em que muitos começam a descobrir o mundo, conhecer novas pessoas e experimentar novas experiências. Porém, é também o período em que muitos acabam se afastando de Deus por causa das influências erradas. O mundo oferece muitos “pratos” atraentes para os jovens: prazeres momentâneos, amizades que não edificam, linguagens inadequadas, comportamentos que não refletem a fé cristã e tantos outros caminhos que parecem agradáveis no momento, mas que podem trazer consequências no futuro. Salomão alerta que chegarão dias difíceis. Dias em que muitos olharão para trás e dirão: “Não tenho neles contentamento.” Isso acontece quando as pessoas desperdiçam a juventude longe de Deus e depois colhem as consequências das escolhas erradas. Por isso, é extremamente importante que o jovem aprenda desde cedo a buscar a Deus, guardar seu coração e escolher bem as suas companhias. A juventude não precisa ser um tempo de afastamento de Deus; pelo contrário, pode ser um período de crescimento espiritual, aprendizado e amadurecimento. Quando um jovem decide servir a Deus desde cedo, ele constrói uma base firme para toda a sua vida. As escolhas feitas na juventude muitas vezes determinam o rumo do futuro. Lembrar-se do Criador na mocidade é viver com consciência de que Deus está presente em todas as fases da vida, guiando, protegendo e ensinando aqueles que escolhem andar nos seus caminhos.


Quando o rei Ezequias estava doente, Deus enviou o profeta Isaías até ele para anunciar que o rei iria morrer. Após transmitir a mensagem, o profeta virou as costas e saiu do quarto do rei. Nesse momento, Ezequias virou o rosto para a parede e fez uma oração ao Senhor, dizendo:


“Ah! Senhor, peço-te: lembra-te agora de que andei diante de ti em verdade, com coração perfeito, e fiz o que era reto aos teus olhos.”

 (Isaías 38:3)


Perceba que, naquele momento, Ezequias apresentou diante de Deus o testemunho da sua vida. Ele lembrou ao Senhor que havia caminhado com sinceridade, fidelidade e retidão. Em outras palavras, ele estava apresentando a Deus a sua história de fidelidade desde a juventude, quando buscou ao Senhor com um coração sincero. Esse ato de humilhação e sinceridade foi suficiente para tocar o coração de Deus. A oração do rei, feita com o rosto voltado para a parede, foi simples, direta e objetiva. Como resposta, Deus ouviu sua oração e acrescentou mais quinze anos de vida ao rei Ezequias. Agora pare e pense por um momento: e se Ezequias tivesse vivido uma juventude distante de Deus? E se ele tivesse passado sua vida buscando apenas os prazeres da sua época, vivendo como muitos vivem hoje, tentando agradar amigos ou impressionar outras pessoas? Sinceramente, naquele momento de aflição ele não teria o que apresentar diante de Deus. Quando um jovem decide buscar a Deus com sinceridade, ele está construindo um tesouro espiritual para o futuro. Deus recompensa aqueles que o buscam de coração verdadeiro. As bênçãos do Senhor não se limitam apenas a esta vida, mas também alcançam a eternidade. Por isso, quem busca a Deus na juventude está enchendo seus celeiros espirituais, ou seja, acumulando tesouros no céu.


“Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”.  (Mateus 6:20,21) 


A história do rei Ezequias nos ensina uma lição muito importante para a nossa vida, especialmente para os jovens. Quando chegou o momento mais difícil da sua vida, ele não apresentou riquezas, poder ou conquistas diante de Deus. O que ele apresentou foi o seu testemunho de fidelidade. Isso nos mostra que a vida que levamos hoje será lembrada amanhã. As escolhas feitas na juventude não ficam esquecidas diante de Deus. Cada atitude, cada decisão e cada momento dedicado ao Senhor formam um testemunho que um dia poderá falar por nós. Ezequias pôde clamar a Deus com confiança porque sabia que havia procurado viver de maneira correta diante do Senhor. Sua oração não foi baseada em orgulho, mas em um coração sincero que reconheceu sua dependência de Deus.


Da mesma forma, os jovens de hoje precisam compreender que buscar a Deus na juventude não é perda de tempo, mas investimento para a vida inteira. Enquanto muitos gastam suas forças apenas com prazeres passageiros, aqueles que escolhem servir ao Senhor estão construindo uma base sólida para o futuro. Chegará o momento em que todos nós enfrentaremos dias difíceis, dias em que precisaremos clamar a Deus com sinceridade. Nessa hora, o que teremos para apresentar diante do Senhor? Uma vida marcada pela fidelidade ou uma vida desperdiçada com coisas passageiras?


Por isso, o conselho de Salomão continua sendo atual: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade.” Que cada jovem aprenda desde cedo a buscar a Deus, andar em retidão e guardar o coração. Porque aquele que planta fidelidade na juventude colherá a graça, o favor e as bênçãos de Deus ao longo de toda a sua vida.



Autor : Escritor Rafael Vitor

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