Altares em Ruínas

 

Então Elias disse a todo o povo: "Aproximem-se de mim". O povo aproximou-se, e Elias reparou o altar do Senhor, que estava em ruínas.  1 Reis 18:30


Como amigo, quero abrir-lhes os olhos. Há uma verdade que precisa ser dita — e dita com urgência. É hora de parar e respirar. Não no sentido de desistir, mas de respirar fundo, avaliar e discernir o que realmente precisa de atenção e cuidado. Muitos erram por agir no impulso e depois se frustram com a ausência de resultados. Quando falo em resultados, refiro-me à unção, à intimidade com Deus, à vida espiritual sólida que nos impede de passar constrangimentos por falta de vigilância e preparo. Movimento não é sinônimo de direção. Atividade não substitui profundidade.

O capítulo 18 de 1 Reis relata um dos episódios mais marcantes das Escrituras: o confronto no Monte Carmelo. Ali, o profeta Elias protagonizou um evento sobrenatural que expôs a impotência de Baal e revelou o poder do Deus verdadeiro. Entre os personagens dessa narrativa está Jezabel, esposa do rei Acabe. Foi ela quem institucionalizou o culto pagão a Baal e Aserá em Israel (1 Reis 18:19), promovendo a idolatria e perseguiu violentamente os profetas do Senhor. Mulher astuta e implacável, tornou-se símbolo de corrupção espiritual e manipulação religiosa. Seu fim foi trágico: lançada da janela, teve seu corpo devorado por cães, conforme a palavra profética anunciada (2 Reis 9:33-36).

Essa história não é apenas um registro histórico. É um alerta espiritual. Onde há negligência, o paganismo se instala. Onde falta vigilância, a corrupção encontra espaço. Por isso, antes de agir, é necessário discernir; antes de confrontar, é preciso estar fortalecido; antes de subir ao Carmelo, é preciso ter passado pelo secreto.

Carmelo - era uma cidade situada nas montanhas a oeste do Mar Morto (1 Sm 25,5). O Monte Carmelo tem uma altura de 532 metros. Foi neste Monte Carmelo que Elias desafiou os profetas de Baal (1Rs 18:20-40).

BAAL – Palavra hebraica que significa (proprietário, senhor, dono, marido). No livro de I Crônicas aparece com o uso pessoal; de modo geral defini uma divindade cananeia da antiguidade veterotestamentária. As designações em relação à Baal eram aplicadas conforme o local de adoração idolátrica da época, como por exemplo; Baal-Peor (Nm 25,3); Baal-Gade (Js 11,17); Baal-Hermom (Jz 3,3); Baal-Zebube (2Rs 1,2) etc. Em geral compreendia-se que Baal exercia a supremacia e soberania do lugar onde se estabelecia, o que exigia completa rendição daqueles que lhe era devoto. Acredita-se que EL era o pai, enquanto, Aserá a mãe, sendo então Baal (neto ou filho) de destaque destes deuses. Durante o ano eram-lhe oferecidas festividades com a finalidade de promover o sentimento religioso. As festas costumavam apelar para a veneração da procriação e fertilidade, incluía a prostituição masculina e feminina espalhando a licenciosidade. Israel foi fortemente assediada pelos cultos a Baal o que proporcionou muitas lágrimas as futuras gerações que tiveram por correção a manifestação dos Juízos de Yahweh. Comentário: Dicionário Bíblico

Imagine a cena: 450 profetas de Baal e Aserá assentados à mesa de Jezabel. Um ambiente de influência política, poder religioso e idolatria institucionalizada. Ali não havia apenas comunhão, havia manipulação espiritual e corrupção doutrinária. Embora a Escritura não detalhe as conversas internas, é evidente que onde há multiplicidade de falsos deuses, há também divisão de interesses. Baal e Aserá representavam cultos distintos dentro do mesmo sistema pagão. A unidade ali não era espiritual, era estratégica. Quando o profeta Elias os convoca para o desafio no Monte Carmelo, o contraste se torna evidente. De um lado, um único profeta do Senhor. Do outro, centenas de líderes religiosos sustentados pelo sistema de Jezabel. O texto é bem claro no que diz: “Gritavam e dançavam ao redor do altar que haviam feito.”  (1 Reis 18:26). Havia movimento. Havia barulho. Havia intensidade emocional. Mas não havia resposta. O altar estava ativo, mas o céu estava em silêncio. Essa cena revela uma verdade profunda: volume não é presença. Agitação não é unção. Multidão não é confirmação divina. No Carmelo, Deus não respondeu ao espetáculo, respondeu à oração fundamentada, ao altar restaurado e à fé exclusiva.

²⁶ Então pegaram o novilho que lhes foi dado e o prepararam. E clamaram pelo nome de Baal desde a manhã até o meio-dia. "Ó Baal, responde-nos! ", gritavam. E dançavam em volta do altar que haviam feito. Mas não houve nenhuma resposta; ninguém respondeu.

²Ao meio-dia Elias começou a zombar deles. "Gritem mais alto! ", dizia, "já que ele é um deus. Quem sabe está meditando, ou ocupado, ou viajando. Talvez esteja dormindo e precise ser despertado. "

²⁸ Então passaram a gritar ainda mais alto e a ferir-se com espadas e lanças, de acordo com o costume deles, até sangrarem.  1 Reis 18:26-28 

Existem momentos em nossa vida que exigem atenção espiritual. Deus não é Deus de confusão, mas de paz (1Co 14:33). A desordem nunca foi evidência da presença divina. Os profetas de Baal gritavam, dançavam ao redor do altar e se agitavam em um espetáculo vazio. A confusão era tamanha que o altar do Senhor estava em ruínas. Observe um detalhe importante: não foi Elias quem deixou o altar caído; foram as circunstâncias e a decadência espiritual ao redor que o destruíram. Aqueles sacerdotes, em desespero, chegaram a cortar-se até sangrar, clamando por um falso deus que jamais respondeu. Espiritualmente, também deixamos nossos altares caírem. Isso acontece quando negligenciamos as Escrituras, quando relaxamos na oração, quando o jejum perde espaço, quando buscar a Deus deixa de ser prioridade. A vida espiritual entra no automático. A mornidão passa a fazer parte da rotina. Altares quebrados representam descuido. Representam perda de zelo. Representam distância. Deus nos chama hoje a reconstruir o altar que foi derrubado. É tempo de consertar o que está em ruínas. A glória de Deus não se manifesta sobre altares abandonados. Se o altar foi quebrado por palavras ofensivas, perdoe. Se foi derrubado pelo pecado, arrependa-se. Se está em ruínas porque o primeiro amor esfriou, volte (Ap 2:4-5). É tempo de juntar as pedras, restaurar a estrutura e clamar ao Senhor para que Ele derrame novamente Sua glória.

É fundamental compreender uma verdade: Deus não reconstruirá o altar que nós deixamos em ruínas. A responsabilidade de restaurá-lo é nossa. Ele nos concede graça, direção e força, mas espera de nós prontidão, arrependimento e atitude. No Monte Carmelo, antes que o fogo caísse, Elias reparou o altar do Senhor que estava quebrado (1 Reis 18:30). O fogo foi uma resposta divina, mas a reconstrução foi iniciativa humana. Deus manifesta Sua glória onde há disposição para restaurar. Ele responde onde há alinhamento! Ele derrama fogo onde existe altar consertado. A prontidão é nossa parte! A manifestação é dEle.



Autor : Escritor Rafael Vitor

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